Laura se relacionava bem com praticamente todos os colegas de classe mas procurava preservar os seus anseios de mulher romântica, sempre evitando conversar sobre assuntos amorosos mesmo com suas amigas mais próximas. Estudava muito e sempre que podia manifestava sua afetividade em folhas de papel cor de rosa (adorava essa cor), perfumadas com borrifos de sua colonia favorita. O tempo passou e ela finalmente realizou o desejo de tornar-se médica. Um dia, ao organizar suas coisas no novo apartamento que acabara de alugar, lembrou-se daquela caixa retangular vermelha, onde sempre guardava suas poesias e textos escritos ao longo de alguns anos, desde que havia iniciado o curso de medicina. Não pode deixar de sorrir quando avistou aquela bela caixa no meio de toda aquela bagunça, comprada para colocar toda papelada que representava a sua longa explosão de afeto contido durante tanto tempo, sem que tivesse oportunidade de demonstrá-lo para aquele alguém que ela idealizara como o seu grande amor! Já fazia quase um ano que não escrevia e também não sentia aquele perfume exalado quando abria a caixa para guardar seus devaneios de amor...
Sentou-se na poltrona do quarto com a caixa nas mãos, sentindo uma doce sensação de serenidade e esperança. Fechou os olhos por alguns momentos e pensou naquela criatura tão especial que havia sido a inspiração de ternura em várias épocas de sua vida de estudante. Suspirou profundamente e abriu a caixa... O perfume suave pareceu impregnar seus pensamentos e a visão de todos aqueles papéis cor de rosa dobrados delicadamente quase fizeram estremecer o seu coração. - Bobagem! Pensou. Mas continuou ali sentada, de olhos cerrados, tentando formar em sua mente, a figura do homem que ela havia inventado para corresponder as suas ilusões. A campainha tocou pela segunda vez e só então ela ouviu, pois havia instalado uma de som mais suave para substituir a que já existia. Trouxera há alguns meses na bagagem quando viajou para o exterior a trabalho. Estranhou, já que a portaria não havia avisado sobre qualquer visita. Abriu a porta com a corrente de segurança travada e deparou-se com uma homem muito simpático, de trinta e poucos anos, vestindo roupa esporte, com um sorriso franco e sedutor.
